segunda-feira, 1 de abril de 2013

O Poeta Tímido




Fernando Pessoa e os seus heterónimos,
em pregadeira,
para poder andar ao peito,
com a liberdade de um cravo
e a (e)terna imensidão de uma rosa de Santa Teresinha.

Os seus heterónimos ainda não estarão todos descobertos.
O meu preferido é Maria José,
o único heterónimo feminino
do qual, até à data, se tem conhecimento.

Esta pregadeira materializa parte das emoções que Pessoa me suscita.
Talvez a substância se auto-explique
: a pintura na base da medalha de bronze é da autoria de Almada Negreiros;
em seu redor, na "Porcelana Rusa Blanca", encontramos Quartzo Rosa, Jaspe, Citrino,
Olho-de-tigre, Coral, Hematite e pequenos búzios da "minha" praia...


Fernando Pessoa is a Portuguese poet, 
(born on the 13th July 1888, never to die).
His message is still present in our everyday's life, even in small sentences such as

In Portuguese, however, it rhymes... See? 
: "Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena." 

Maybe you could learn Portuguese in order to reach our message even deeper...

Pessoa (meaning Person) believed in the power of the Word and that redemption for Portugal is possible.
According to him, Portugal's message for the World is Peace; and this is a message that cannot be lost.
It is just a matter of Time... Time being Now.


PORTUGUESE SEA

Oh salty sea, so much of your salt
Is tears of Portugal!
Because we crossed you, so many mothers wept,
So many sons prayed in vain!
So many brides remained unmarried
That you might be ours, oh sea!

Was it worthwhile? All is worthwhile
When the spirit is not small.
He who wants to go beyond the Cape
Has to go beyond pain.
God to the sea peril and abyss has given
But it was in it that He mirrored heaven.


By Fernando Pessoa
(translator unknown)


Obrigada! Bem-haja... 


quarta-feira, 20 de março de 2013

Coro das Pedras


Nós pedras
Quando alguém nos ergue
Ergue tempos primevos - 
Quando alguém nos ergue
Ergue o Jardim do Éden - 
Quando alguém nos ergue
Ergue o reconhecimento de Adão e Eva
E a sedução, que come pó, da Serpente.

Quando alguém nos ergue
Ergue biliões de lembranças na mão
Que não se dissolvem no sangue
Como o anoitecer.
Pois nós somos monumentos mortuários
Que abrangem todo o morrer.

Um surrão cheio de vida vivida somos nós.
Quem nos ergue, ergue as campas endurecidas da Terra.
Ó cabeças de Jacob,
As raízes dos sonhos mantemo-las nós escondidas pra vós,
Deixamos as aéreas escadas dos anjos
Brotar como braços dum canteiro de trepadeiras.

Quando alguém nos toca
Toca um muro de lamentações.
Como o diamante o vosso lamento corta a nossa dureza
Até que ela cai e se faz coração brando - 
Enquanto vós empedernis.
Quando alguém nos toca
Toca as encruzilhadas da meia-noite
Ressoantes de nascimento e morte.

Quando alguém nos atira - 
Atira o Jardim do Éden - 
O vinho das estrelas -
Os olhos dos amantes e toda a traição -

Quando alguém nos atira com ira
Atira leões de corações partidos
E de borboletas de seda.

Cuidado, cuidado
Não atireis com uma pedra em ira - 
A nossa mistura está repassada de espírito.
Endureceu no mistério
Mas pode acordar com um beijo.



Nelly Sachs (trad. Paulo Quintela)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Três Prendas Inesperadas


Charoite

Charoite is a soul stone with deep physical and emotional healing energies. It is a stone of transformation and is used to overcome fears. Charoite stimulates your inner vision. Charoite can be used to overcome obsessions and compulsions. It grounds the spiritual self, opening and balancing the crown chakra. Healing properities of charoite Lifts energy when the body is exhausted, regulates blood pressure, assists with deep sleep and powerful dreams. Put charoite beneath your pillow, especially if you are prone to disturbed sleep or fears which surface in dreams. In combination with amethyst, it will help to release these fears. Charoite is found in only one location - along the Chary River at Aldan in Russia. http://crystal-cure.com/charoite.html

Ametrino e Hematite
Ametrino (ou Bolivianita)

La Bolivianita, también llamada Ametrino, es una gema, variedad del cuarzo, con dureza 7 en la escala de Mohs, fusión única de la Amatista con el Citrino que le dan esos colores tan diversos que van desde los amarillos tenues hacia la gama de los lilas, hasta los profundos violetas y cuyas características la hacen que sea única en el mundo. Se encuentra únicamente en la Mina Anahí en el extremo este de Bolivia, siendo único yacimiento en el mundo, está ubicada en la provincia de Germán Busch, cerca a las lagunas Mandioré y La Gaiba en el municipio de Puerto Quijarro, en el departamento de Santa Cruz. Este yacimiento tiene origen hidrotermal, y su peculiaridad es la de contener aguas ricas en carbonatos básicos, entre éstos el potasio 40, que hubiera provisto a la sílice que contenía hierro del calor suficiente para formar estos bellos cristales. Es necesario hacer notar que, debido a la explotación que realizaron empresas brasileras que introducían estas gemas en Brasil de contrabando (ya que, como protección a su mercado, la exportación de esta es ilegal), en el mercado internacional se comercializó la Bolivianita o ametrino como si esta fuera una gema de origen brasilero, siendo sin embargo Bolivia el único lugar en el mundo donde se producen estas gemas. http://es.wikipedia.org/wiki/Ametrino


Bem-hajam!

Agora sei que foi muito para além da coincidência e da generosidade

: o Universo tem, de facto, os seus circuitos bem conectados.


domingo, 4 de dezembro de 2011

A Cariátide

(para a Lucinda)

Ao nascer do sol,
no 19ème Arrondissement de todas as cidades,
esculpe-se uma mulher-coluna
; sorri para as suas feridas abertas, diariamente,
com a sábia sinestesia de todos os sutras.

Sozinha, nunca só
– consubstancia-se em quatro dimensões.

Sob o entablamento de Erecteion, suporta
sobre a cabeça
o dúbio destino do homem.

Pelo meio-dia, irrompe da estrutura pétrea que sustenta.

Eclode para se Ser dentro de um tempo
que nunca o foi,
que nunca irá para além daqui
: o espaço onde circula o homem
e, ainda, a sua incerteza.

Todas as cidades a desejam,
pois é voluntária a sua ferida
que purifica.

Mestre de Pigmaleão,
nunca “faz anos”, nem cumpre expectativas
; solta-se, senhores, a cada instante,
do que deveria ser o seu funesto fado
e volita livre e secreta entre vós.

– “Kuan Yin da Lys-Atenas, duty-free,
só voando por cima das nossas cabeças
é possível elevar a Hurbanidade?”

[por dentro]

“Atena, Poseidon, Erecteu e eu aguardamos-te
algures entre o templo e o Parc des Buttes Chaumont.”

[dentro da vossa luz, lá estarei]

À noite, depois do vinho biológico,
dos queijos caseiros
e da dança biodinâmica,
ela observa a Hurbanidade-da-escassez
em absoluta abundância

: quadridimensional, converte-os em estrelas que caminham.

(e o bolo, finalmente, come a serpente)

Só então, vértebra a vértebra,
com uma dor precisa e implacável,
– gota a gota – secando
ela se reconverte em pedra,
até ao meio-dia
da Hurbanidade seguinte.


Suzana Guimaraens









domingo, 1 de maio de 2011

A Construção de Nínive

Toca-me o sangue. Peço-te que me toques
o sangue. Escuta este rumor
dentro do meu peito, esta palavra enlaçada
a uma pedra que arde dentro da terra.


Toca-me o sangue. Ordeno que me toques
o sangue. Este rio que corre nos meus olhos,
a música silenciosa que o mar vem entregar
quando os homens regressam do crepúsculo.


Vê como estou vivo. Vê como sabem a terra
as minhas palavras. Vê como tenho ensanguentadas
as minhas palavras perdidas, esses barcos
que a tempestade teme e as aves anunciam.


Amo-te. Toca-me o sangue. Sente que venho
da noite, que é com angústia que chamo
pelo teu nome, sonho os teus sonhos,
espero as tuas mãos.


Toca-me o sangue. Toca os fios de dor
que me rasgam a boca. Toca o fogo dos meus cabelos.
Toca-me o sangue, a escuridão
em chamas do meu peito.


Sou o que espera na noite. Sou o que chora
na sombra. Sou o que espera a tua passagem
silenciosa, os teus quadris ardentes
navegando na noite impassível.


Espero-te. Espero-te. Um perfume ergue-se
das tuas mãos, um punhal. Toca-me o sangue.
Sou o que espera na solidão inquieta
e toma a luz pela luz dos teus cabelos.


Espero um rio, é uma praia que espero, o azul
penetrante da tua tristeza secreta, esse bosque
rugindo um nome e precipitando a fuga
dos que temem e estão intranquilos.


Toca-me o sangue. Toca o arco de fogo
que cai das minhas mãos, as sílabas perdidas na treva
por que uma criança cresce para o sono
e toca a limpidez de uma lágrima.


A vida vem com a brisa. Um astro
aproxima-se do teu rosto. Uma canção desprende-se
da árvore de espuma que a sombra engendra.
Toca-me o sangue. O febril sangue do meu peito.


Amo-te, mulher desconhecida. Amo-te.
Amo o jorro de luz da tua boca,
as tuas cálidas palavras, a orla secreta
dos teus lábios onde o mar vem beber.


Amo o lume inesperado dos teus olhos, o teu corpo
nervoso, as tuas mãos perdidas no vazio.
Amo as caladas cintilações da tua boca,
a pequena mancha de tule que dança nos teus olhos.


Como a luminosidade descobre uma sandália na areia,
o sinal recente de um beijo no contorno de um rosto,
como um coração de pedra arde dentro da pedra
e uma nuvem transfigura para sempre o horizonte, amo-te.


Toca-me o sangue porque te amo. Toca-me o sangue
porque trago comigo uma palavra sagrada. Porque estou
inocente. Porque te amo. E uma ponta de luz
entrega a claridade invisível dos teus dedos.


Um rumor de água ou de lume vem das tuas mãos.
Pulsa nas veias da noite o vento do teu nome.
Um pássaro queima a tristeza inextinguível.
Um grito, um grito rebenta finalmente no meu e no teu peito.



Amadeu Baptista
(in "A Construção de Nínive", Porto, Edições Mortas, 2001)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Amor É o Mamilo de Deus


























amor é o mamilo de deus

uma pedra fechada sobre uma lágrima, escura, percorrida,
um quisto com a espessura do inverno na vastidão da pele,
um beijo à espera que duas bocas se aproximem para sê-lo,
não se vê o princípio, não se vê o remate, só a dor caminha
este beijo, por entre os sinais que indiciam suas metástases.

o amor é de carne e de silêncio, gravita como um monstro,
aonde estava a calma ignorância, um coração puro, normal,
entra, invade, morde, espalha sua droga assassina, e mata.
o amor é a cura das doenças sem cura, ou em fase terminal,
o único reduto a que expiramos se nos cerca o fim da vida.



Alice Macedo Campos

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Chama que Arde

Escacha os olhos, franzino.
Perscruta a vertente que te consome.
Estás a ver? Montanha à vista, pequenino.
Subi-la-ás com pedras às costas.
Esquece a força do Obelix, as figuras,
O imaginário.
Tu és real, e se a pedra não o for, ao
Menos exala o masoquismo, teu companheiro
De vida, seu raquítico.
Depois, galvanizado por aquela chama ardente, chamativa,
Sussurrante,
Continuarás na mesma rota,
Já embalado nessa áurea.
E continuarás a subir, a subir,
Carregando a pedra, qual peso específico,
Da chama, que te chama...
Sempre a fugir, sempre a fugir,...



Virgílio Liquito

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Na Árvore

Agora as Pedras & Suspiros também estão estão na Árvore
- Cooperativa de Actividades Artísticas, C.R.L. - "Um espaço de liberdade".
















Fica no Porto, mesmo por detrás do Palácio da Justiça, num espaço que merece ser sentido através das acolhedoras salas, galeria e toda a envolvência histórica e natural...

"As casas de campo são, pela maior parte, rodeadas de espessos arbustos que, trepando até o cume dos telhados, representam aos olhos agradáveis labirintos semeados de jasmins, martírios e muitas outras flores, cuja variedade e cheiro suavíssimo é o encanto dos sentidos.
Os ingleses, franceses, holandeses, hamburgueses, e outras famílias estrangeiras comerciantes, são os que arrendam estas quintas e nelas vivem a maior parte do ano; mas os portugueses reservam para seu uso e divertimento as melhores e as mais custosas. Tais são: da parte do nascente, norte e poente, a das Virtudes, pertencente à viúva e filhos de José Pinto de Meireles, Cavaleiro professo na Ordem de Cristo, que se inclui no bairro de Miragaia e é de um preço e valor tal que, só os muros que a cercam e formoseiam, custaram muito mais de vinte mil cruzados.

A estrutura de algumas destas fontes é notável. A das Virtudes compõe-se de um alto frontispício adornado de antigas pirâmides e firmado em bancos de pedra que o rodeiam. A copiosa água, que dela sai por duas carrancas gigantescas lavradas na mesma pedra, enche, em menos de um minuto, o maior cântaro. Ao seu lado estão dois profundos tanques em que diariamente lavam de vinte até trinta lavadeiras.

(...) Esta Fonte deu o nome à Porta da Cidade chamada das Virtudes e assim mesmo aos Assentos que ficam ao seu lado, em um alto da parte oriental, e que se dilatam pela distância de 222 passos. Em toda a cidade não há sítio nem mais ameno nem mais agradável; porque, além da sua bela posição adornada de regulares edifícios, gozam os olhos, de um só golpe, vista da cidade, de mar, rio, navios, montes, campinas, quintas e palácios. O grande paredão, que presentemente se está fazendo, para com ele se formar uma praça correspondente à beleza e magnificência desta agradável situação, será um monumento eterno do patriótico zelo que Rodrigo António de Abreu e Lima, Cavaleiro professo na Ordem de Santiago, Inspector da Marinha do Douro, Administrador Geral dos Portos secos das três províncias do norte, e actual Juiz da Alfândega, mostrou em obrigar o Senado da Câmara a fazer esta obra interessantíssima à Régia utilidade e recreio público."
Padre Agostinho Rebelo da Costa
Descrição Topográfica e Histórica da Cidade do Porto. 1788.


É neste cenário que está sediada a Cooperativa Árvore, no edifício mandado construir por José Pinto de Meireles, cuja pedra de armas encima a frontaria, adquirido em 1989 aos proprietários Dona Margarida Helena de Azevedo Albuquerque e Dr. Henrique da Costa Alemão Teixeira."


Visite-nos...♥':ﻶჱﻶﻉ.♥:'-•°´¯¯`°•-♥':ﻶჱﻶﻉ:♥...


domingo, 18 de abril de 2010

Paixão

"Se tu puderes saber através de
mim, sem antes precisar ser
torturado, sem antes teres que ser
bipartido pela porta de um
guarda-roupa, sem antes ter
quebrado os teus invólucros de
pedra, assim como os meus
tiveram que ser quebrados sob a
força de uma tenaz até que eu
chegasse ao tenro neutro de mim
- se tu puderes saber através de
mim... então aprende de mim,
que tive que ficar toda exposta e
perder todas as minhas malas
com suas iniciais gravadas"


Clarice Lispector

sábado, 17 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Informações úteis neste momento planetário

Caso alguém se sinta particularmente vulnerável, embora com criatividade em potencial, mas se sinta disperso, um tanto angustiado e quase incapaz de pôr em prática os seus projectos, pode ser (ou não) devido ao efeito das alterações energéticas pelas quais estamos a passar à escala planetária. 
Destaquei o excerto que se segue por estar directamente relacionado com o uso das pedras, enquanto auxiliares de reconexão.

Espero que vos seja útil :-)

"O meio mais benéfico de desviar esses campos é composto de 5 itens,
sendo que o primeiro é aplicável a todas as condições de fortalecimento
do campo para neutralizar a interferência:


1) O uso de pedras preciosas é muito mais útil do que os actuais chips
neutralizadores. Uma pedra preciosa de refração simples, de 2 quilates ou
mais, usada em uma das mãos, e uma de refração dupla na outra mão
ajudam a desviar os campos. Como exemplo de pedras preciosas de
refracção simples, temos: diamante, granada e espinela. São pedras
preciosas de refracção dupla: água-marinha, safira, rubi, esmeralda,
turmalina, topázio ou qualquer uma das variedades de quartzo, como
ametista, peridoto e citrino. Em relação às de refracção dupla, é melhor que
sejam de 4 quilates ou mais. Combinem estas pedras com metais nobres
em cada pulso. Ouro, paládio ou platina são os melhores. Prata, cobre,
bronze, titânio e aço ou carbono ajudarão, se metais mais nobres não forem
acessíveis. Use uma corrente no pescoço com um pendente estabilizador,
como lápis-lazúli, malaquite ou azurita. Através deste processo, você terá
mais capacidade de aumentar o seu campo e desviar campos opostos.
Pedras preciosas transparentes são grandes produtoras de ondas de luz de
dimensão mais elevada, e amplificam a aura do indivíduo, ao mesmo tempo
em que ajudam a mantê-la intacta.
Não use berilo (esmeralda, morganito, alexandrita, água-marinha) e
coríndon (rubi e safira) ao mesmo tempo.

2) Tente manter uma certa distância das telas. Para monitores de
computador isto é difícil, mas para televisão, 4 a 5 metros é o
recomendado.

3) A colocação de geradores iónicos, como blocos de sal gema e filtros de
ar, é útil para restaurar a proporção entre ánion e cátion nos recintos que
contêm computadores, micro-ondas e televisores.

4) Utilizar a espiral de raio violeta de Tesla, aplicações de raio luminoso com
gases nobres, para equilibrar o campo, corrigir condições de polaridade
reversa e ajudar a selar o campo, evitando sangramento áurico.

5) Um modo efectivo de neutralizar os efeitos do computador é colocar um
meteorito de ferro e níquel de um lado da tela e um bloco de malaquite no
outro. Cada um deles deve ter pelo menos uma libra de peso."

quinta-feira, 11 de março de 2010

Pois Maria

Pois Maria, quase todas as amarguras não deixam rastos de inimizade. Chorei na serra…, e então, lá no alto, no pico da Freita, urinei ao vento, fluindo-me pelos interstícios dos ventos, por vezes chuvosos.
Os meus cristais, , esses, fluíram, planaram, voaram , raspando em Asa Deltas.
Ao longe, no vale, onde grassam as seculares Pedras Parideiras, os meus líquidos repousaram leve, como o orvalho , naquelas rochas “babentas”.
E chorei naqueles berços de pedra, mas não os colheremos daqui a anos tantos. Sabes, Maria, que o seu microclima, raro na Europa, com os seus musgos, os ditos serão transformados num mosto, jurássico, e, Maria, saberá germinar-me como ovos me repartisse, digo Maria, ao lado das Pedras Parideiras. Então sim, os meus cristais terão todos os paladares vindouros. De facto, Maria, chorei, urinei sal, Morte da minha futura Nostalgia, Maria.



Virgílio Liquito

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Que Aconteceu?

Que aconteceu? A pedra saiu do monte.
Quem despertou? Tu e eu.
Linguagem, linguagem. Co-estrela. Terra-próxima.
Mais pobre. Aberta. Acolhedora.

Para onde se ia? Para o som que não se perdeu.
Ia-se com a pedra, com nós dois.
Coração e coração. Que achámos pesado de mais.
Tornar-se mais pesado. Ser mais leve.



Paul Celan (trad. Yvette Centeno)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

PEDRA-POEMA PARA HENRY MOORE







Um homem pode amar uma pedra
uma pedra amada por um homem não é uma pedra
mas uma pedra amada por um homem

O amor não pode modificar uma pedra
uma pedra é um objecto duro e inanimado
uma pedra é uma pedra e pronto

Um homem pode amar o espaço sagrado que vai de um
[homem a uma pedra
uma pedra onde comece qualquer coisa ou acabe
onde pouse a cabeça por uma noite
ou sobre a qual edifique uma escada para o alto


Uma pedra é uma pedra

(não pode o amor modificá-la nem o ódio)


Mas se a um homem lhe der para amar uma pedra
não seja uma pedra e mais nada
mas uma pedra amada por um homem

Ame o homem a pedra
e pronto


Emanuel Félix

sábado, 26 de dezembro de 2009

Sem Título

Simon est mort
Simon está muerto
Simon is dead

e não terá sido inédito: leucemia rimou com pneumonia
enquanto ele ia; todavia, não devia
porque a saudade da companhia certa faz, por vezes, tocar à campainha errada
e parecem meras letras escritas em cima da cabeça,
porém é essa a ilusão

e os corrompidos até poderão esfregar as mãos pelo seu pretenso silêncio
e o cabelo dela ainda ondular no ar depois desse gesto hierático
– como um berilo
e até o teclado apoderar-se do pó e da cinza,
mas é a saga da ilusão
porque os corrompidos não entenderam que o seu rouge é de longa duração
(como as pilhas de alguns gatos)
assim como não compreenderam que
a liberdade foi a prenda que ele se ofereceu neste Natal
e a ela
uma liberdade por embrulhar
por ser [demasiado exacta]
daquelas que aliciam a continuar jornadas
(na sua pretensa ausência)
para que ela acreditasse na presença deles
e na nossa
bem como nestas palavras

: que ele sempre soube que ninguém precisava de ninguém para se proteger,
mas havia palavras por dizer que foram ditas
– como águas-marinhas
palavras que fizeram vidas
e mais palavras que atestaram outras
que irão continuar
e agora
Simão morreu,
mas não é a morte:
“é a vida!”
e a vida não é [Coisa] para chorar



Suzana Guimaraens

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal Feliz

... todos os dias.

Litomorfose

Deu agora em praticar a desobediência
ante a vontade
tanta
minha.
Cérebro comandante
é ninguém nem nada superior
a exercer poderes vãos.

—Come! —ordena.

O tal como se chovesse,
insubmisso,
águas que lavam lágrimas.
E chove.

Nem suplicando cede.
Está que nem pedra surda e cega,
petar que não comove,
este estômago.

Como se não bastasse
a presença pesada no peito
de latejar manso, lento?
Se calhar é um processo involutivo,
invasivo.

Quem sabe
não vire aos poucos
o sal diluído estátua
e eu seja afinal
a mulher com nome dum outro Ló,
ancorada no passado,
lume e enxofre na olhada,
pés de barro?


Sun lou Miou

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A Terra Perto do Espiral... Qual?


Pendente de Olho-de-gato, Malaquite, Obsidiana e Cristal Quartzo.

Pai, Filho e Espírita Santa




















Colar de Ágata e Quartzo Fumado.

Beij* na tua pele sardenta



















Colar de Jaspe-dálmata, Rodonite, Pérola, Granada, Cristal Quartzo,
Madre-pérola, Ónix, Quartzo Rosa e Ágata.

Um Nome

Não, eu não atribuo um número às minhas peças...

Noite Nevada




















Colar de Cristal Quartzo, Pérola, Obsidiana-floco-de-neve, Ónix,
Hematite, Pedra-da-lua e Vidros.

PEDRAS SÃO COMO PALAVRAS

à Sissi

Pedras são como palavras
Facetadas, toscas, preciosas - ou semi -
Impregnadas, ternas, perigosas - em ti e sem ti -
Tingidas, lineares, agrilhoadas em esferas, em espetos, em rosas.

Translúcidas, opacas, proeminentes
Fragosas, macias, contundentes
Pingentes, polidas, indecentes
Remotas, encontradas, perdidas
Passam indiferentes pela Morte e pelas vidas.

Afloramento, rocha Mãe, pedras paridas
Fraga, praça, castelo
Estátua, ponte, cristal
Dos confins da humanidade
A soma do bem e do mal
Toda a mentira e toda a verdade:
O espólio de qualquer história
Varridas da memória
Aos pontapés pela cidade.

Ora soltas, ora em penedo
Sem medo, num quase devagar absorto - duro e imenso -
É o seu puro denso
Que uso
Que ouço
Que ouso neste peito
Com respeito,
Mas sem ponta de pudor
Como uma flor
Efémera e tácita
Escuto na sua récita - branda e milenar -
O movimento perpétuo do devir
O que foi e o que há-de vir
- Sentença a sentença -
- Calhau a calhau -
Sem decifrar o seu intento
Para que eu seja desejo e instrumento.

Mas são pacientes,
As palavras-pedra
As pedras-palavra
- As certas.

Lavram-se em mim
Erguem-se à minha volta
Ornamentam-me, livre, SOLTA
Bebem comigo da Lua e das Estrelas
Para mergulhar - una com elas -
Num mar sujo de angélica purpurina.

Debruadas a um silêncio
Sem malícia e sem manha
Cúmplices de sina tamanha
Geódes ou areia fina,
Inteiras ou estilhaçadas,
Cinzeladas por mim
- A santa e a libertina -
Encrostadas, tantas vezes, sem que saiba
Será delas a chancela que o meu destino assina?

Muro ou colar
Arremesso ou alicerce
Se ao menos eu soubesse
Esta pedra-como-as-palavras-que-sou
Quisera eu ser a primeira
Desse Templo para onde vou…


Suzana Guimaraens

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A deep slow





















































Pregadeira de prata com Ametista, Cristal Quartzo, Fluorite, Pérola, Lápis-lazúli, Obsidiana-floco-de-neve, Quartzo Rosa, Turmalina, Ónix e cristal Swarovski.


E já tem dona :-)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O Indescritível

1.
Por trás do brilho da pedra - a luz do inexorável -
O alto da montanha - o ilimitado - que a céu aberto se perfilha -
A neve espessa - que assoma na retina - indescritível -
Sobre a nuvem - o musgo - uma cabra - reflectida -

2.
No abismo - de mansinho roçando - eu vi-te - em fuga - junto à lâmpada imóvel -
Pelo desfiladeiro - o azul do aéreo - na despercebida encosta - do exausto -


Alexandre Teixeira Mendes

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A Pedra de Toque

I

Despertei
com o pássaro longínquo
um rumor de fome
no seu olho fito

Atirou-se a pique
sobre a crosta da terra
a picar no mais tenro
o que eu nunca vi nem
me apalpei

Carne não era
talvez fosse
a pedra de toque
do meu sono

Soltando as asas
desde a serra
veio voando
direito à varanda onde
pela manhã passeiam
pombos

Atirou-se a pique
com o seu olho louco
a descobrir
o que eu esquecia

Carne seria
lôbrega ou viva
hélice de sol puro


Luiza Neto Jorge

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Pedra Ruiva

Pedra Ruiva.
Esconsa, a osga.
Eu caiava
a parede.

Foi quando
frei Gil veio
diluir-me
em sumos e
em méis.



Luiza Neto Jorge

Feira é feira!



Nos próximos dias 12 e 13 de Dezembro
(sábado - 10h às 22h/ domingo - 10h às 20h),
terá lugar na Galeria Comercial da Bela Vista
(edifício Hotel Mélia - Vila Nova de Gaia)
uma feira de Artesanato Urbano
com a presença de Pedras&Suspiros e Pedras em Flor.

Peças únicas e vibrantes à Tua espera!

sábado, 10 de outubro de 2009

Sempre que sonho contigo


























Sempre que sonho contigo perco a mão em mim
e sinto-me arquitecto de realidades
que nunca terão uma primeira pedra.



David Fernandes

domingo, 12 de julho de 2009

CASSANDRA

Num sábado de oração na Sinagoga grande, o rabino disse

«O milagre não é uma laranja tornar-se cúbica, o milagre é as laranjas já serem esféricas»

Nada era melhor do que aquela pedra.

Algumas horas. Devia fazer isso com todas as coisas.

Às vezes não é preciso tanto tempo, 12 minutos a olhar para um semáforo avariado e torto e já nada é mais bonito do que um semáforo a cair!



A cidade está cheia de medo.

Nestes dias antes da tua morte, a cidade ficou cheia de medo de nós.

Os muros pareciam precisar de ajuda

Os prédios não conseguiam suportar mais os seus habitantes.



Fez-se um silêncio pleno …

Um silêncio Grande,

Como quando dez mil camiões buzinam ao mesmo tempo.



Tanta calma … Percebemos logo Tudo.

Aprender num dia mais do que no anterior

Como a minha mãe me disse, ou foi o meu filho?

O tumor está a alastrar-se a toda a cabeça! – Gritou alguém ao megafone.

Cassandra!

Está tudo a correr bem!

As laranjas são redondas ainda. Tudo é tão leve…



Queria tanto beber do teu leite.

Tu empurravas-me a cabeça e rias-te.

Acendias um cigarro.

O teu corpo era a minha casa.



Quero abraçar todos os homens e mulheres.

O Abraço supremo que abarca toda a humanidade com os braços grandes de uma mãe.

Os cantores de que tu gostavas estão agora mais vivos.

As canções na rádio sabem a leite estragado.

Calma, foi apenas o fim do mundo.

Tudo o resto continua……….



O carro funerário ia muito devagar

Foi tudo tão alegre … Uma alegria Aguda

Que entrava dentro de nós

Como uma viga de ferro a cair-nos na cabeça

Uma felicidade sufocante que ecoava pelo Universo naquele sábado de sol

Cassandra

Só um som ou uma ideia

Só uma PALAVRA




Nuno Brito

sábado, 11 de julho de 2009

SÓ SEREI POETA



















Só serei poeta quando souber posicionar o meu corpo ao abrir a torneira
todas
mesmo todas a manhãs
desengane-se quem julga que tem que ver com caneta e papel e inspiração:
essa força criadora não selecciona objectos ou estados emocionais
para ela o amor tem o valor de uma pedra, de uma apara de cigarro, de uma maçã trincada
porque tudo é uno quando sei quem sou,
mesmo emaranhada nas rotineiras esperas
e, se for poeta,
saberei que me encontro inteira num e noutra
saberei que a minha cor não se esbaterá nessa tela do obscurecimento dos mitos parciais
porque o futebol, a literatura, a religião, a política, todo o dinheiro que compra as marcas,
os gajos bons e as gajas boas
dissolvem-se nesse verso maior que sou eu desde o início da Eternidade
em que já era o Verbo
e o sujeito, com todos os predicados e todos os complementos
- “a questão é” se eu quero ser poeta
ou, enfim,
talvez, querendo, já sejamos todos poetas...


Suzana Guimaraens

terça-feira, 7 de julho de 2009

Espirais de Cura III


X

Não é como se a mão hesitasse no gesto fundador.
O movimento espera que um astro se incendeie
em todos os tendões
para que nenhuma palavra seja o frio nexo da loucura
ou o vento soprado como sangue.
Uma pedra sobre a boca pode ser o único sustento
para essa fome.
Mas a mão que escreve avança como faca
arrancando à garganta o seu êxtase carbonizado.
A violência é a religião de Deus.



João Moita